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Grupo ISPO conduz pesquisa inédita sobre a memória do Holocausto no Brasil

Grupo ISPO conduz pesquisa inédita sobre a memória do Holocausto no Brasil

23 de jan. de 2026

Levantamento que ouviu 7.762 brasileiros foi contratado pela Confederação Israelita do Brasil (CONIB), Memorial do Holocausto de São Paulo, Museu do Holocausto de Curitiba e StandWithUs Brasil

Com o rigor técnico de quem soma 15 anos de trajetória e mais de 1.200 pesquisas realizadas desde 2011, o Grupo ISPO apresentou, na quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, os resultados do estudo “O conhecimento do Holocausto no Brasil”. O levantamento, conduzido ao longo de 2025, ouviu 7.762 pessoas em 11 regiões metropolitanas, revelando um cenário de lacunas profundas e desigualdades acentuadas no acesso à memória histórica no país.

Metodologia
A pesquisa fundamentou-se em entrevistas presenciais realizadas em pontos de grande fluxo, utilizando um questionário estruturado e controle por cotas sociodemográficas. Com uma margem de erro de 4,7%, a amostra abrangeu capitais estratégicas como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Salvador e Recife, assegurando uma sólida representatividade nacional. O projeto, no entanto, segue em expansão: novas rodadas de entrevistas em regiões ainda não contempladas pelo levantamento original devem ocorrer nos próximos meses, ampliando ainda mais o mapa do conhecimento histórico brasileiro.

O paradoxo do conhecimento
Os índices apurados pelo ISPO expõem um contraste significativo. Embora 59,3% dos brasileiros afirmem ter algum conhecimento sobre o Holocausto, a profundidade desse saber é limitada: apenas 53,2% conseguem defini-lo com precisão como o extermínio sistemático de seis milhões de judeus pelo regime nazista. No vácuo da informação, 31,1% declaram desconhecer completamente o que foi o genocídio.

Um dos pontos mais críticos do relatório indica que 38,5% da população ignora a finalidade de Auschwitz como campo de extermínio. A análise cruza esses dados com fatores socioeconômicos, revelando que a escolaridade e a renda são os principais divisores de águas: enquanto 86,2% dos entrevistados com pós-graduação dominam a definição correta, o índice despenca para 27,2% entre aqueles que possuem apenas o Ensino Médio completo.

Representação e impacto
Encomendado por uma coalizão formada pela Confederação Israelita do Brasil (CONIB), Memorial do Holocausto de São Paulo, Museu do Holocausto de Curitiba e StandWithUs Brasil, o estudo lançado na sede do Memorial do Holocausto, em SP, foi marcado pelo peso do testemunho. A presença de sobreviventes como Hannah Charlier e Gabriel Waldman conferiu um contorno humano às estatísticas, transformando os dados do ISPO em uma ferramenta viva de conscientização.

Visão estratégica
Para o CEO do Grupo ISPO, Salus Loch, a entrega de um diagnóstico desta magnitude reafirma o papel da pesquisa como pilar da cidadania. Ao analisar a robustez do levantamento, Loch destaca que a clareza técnica é o único antídoto eficaz contra a desinformação. "Esta pesquisa inédita funciona como um diagnóstico nacional estruturante que rompe com percepções baseadas apenas em suposições ou instintos. Ter dados confiáveis em mãos é o único caminho para que instituições possam identificar lacunas conceituais e tomar decisões estratégicas eficazes, transformando informações em ferramentas de cidadania e mudança social", pontua Salus Loch.

Clique aqui e acesse os resultados gerais da pesquisa.